Passe Livre no banco dos réus

Inquéritos e mais inquéritos contra manifestantes em tempos de ditadura. Não estamos falando do passado. Não. Um acampamento em frente à Câmara Municipal de Natal é a causa da acusação de formação de quadrilha e outros adjetivos comuns usados para criminalizar ativistas do Movimento Passe Livre.

 A luta pelo direito ao passe livre e transporte público de qualidade virou caso de polícia. Ativistas do movimento são transformados em réus. A ordem é incriminar e fazer de tudo para prender pessoas que ousam protestar contra os podres poderes.

Setores da polícia que deveriam garantir segurança pública à população recrutam seus esforços para perseguir estudantes e trabalhadores que gritam contra as injustiças sociais. Ao mesmo tempo, muitos dos que deveriam assegurar direitos jurídicos garantidos na Constituição Federal, se prestam a praticar atitudes arbitrárias contra direitos humanos tão fundamentais como a liberdade de expressão e manifestação.

O inquérito que incrimina manifestantes que foram às ruas protestar contra o aumento da passagem no transporte coletivo de Natal, soa como uma intimidação aos novos protestos diante do aumento da tarifa, que passa a valer R$ 2,35 a partir do próximo domingo dia 27. A acusação de formação de quadrilha para quem participou de um acampamento em frente à Câmara Municipal de Natal é mais uma maneira de intimidar as lutas sociais.

Ao invés de proteger a sociedade e prender as verdadeiras quadrilhas que cometem crimes contra a população, setores da polícia e do poder judiciário apresentam suas armas e determinam prisões arbitrárias de manifestantes.

A ordem policial e judiciária que criminaliza protestos faz a liberdade cair por terra. O medo se mistura à indignação de militantes que carregam as bandeiras e as palavras de ordem dos movimentos.

“Eu tô com cada vez mais medo da polícia e cada vez mais medo do Ministério Público”, disse Nadine Borges, presidente da Comissão da Verdade do Estado do Rio de Janeiro

Enquanto isso, os grandes meios de comunicação cumprem o papel de apoio às ditaduras como foi no passado. A mídia burguesa manipula a informação e cria sua própria versão dos fatos para colaborar com o processo de criminalização contra ativistas dos movimentos sociais.

Nem a polícia nem o judiciário, muito menos o lado podre da imprensa vai nos intimidar.

“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”, Rosa Luxemburgo.

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