“QUEM TIVER MANCHA NO PASSADO TERÁ DIFICULDADES PARA CONSEGUIR VOTOS”

O advogado Fábio Hollanda, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE), avalia que a presente campanha eleitoral no Rio Grande do Norte, sobretudo no que toca aos embates para o governo e o Senado, entre Henrique Alves (PMDB) e Robinson Faria (PSD), e Wilma de Faria (PSB) e Fátima Bezerra (PT), será dura. Como consequencia, ele afirma que o pleito será judicializado, com demandas crescentes à justiça.
Repórter de Política Alex Viana

Na avaliação de Hollanda, a “revisita ao passado” será algo natural, como forma de apresentar virtudes e eventuais “lambanças” dos candidatos. “A campanha vai ser muito dura porque o efeito da lei ficha limpa nas candidaturas e na forma de os candidatos buscarem convencer a população a votarem é muito voltar para o passado, é natural. Então os candidatos tentarão mostrar as suas virtudes, o que fez e o que os outros fizeram de lambança”, ressalta.

“Eu acho que vai ser um pleito duro. Nós temos a candidatura do deputado Henrique Alves, que é uma candidatura que traz um respaldo político, uma história de vida, é uma candidatura robusta por todos os sentidos. Temos, por outro lado, a candidatura do vice-governador Robinson Faria ao lado do PT, que tem a candidata em melhores condições para disputar o pleito presidencial (Dilma Rousseff). Então o norte-rio-grandense está tendo o privilégio de saber que tem dois candidatos que terão condições de, no futuro, ter vez e voz em Brasília se forem governador”, diz.

Hollanda defende que a verdade seja aceita pelos eleitores como fator decisivo na escolha dos seus candidatos. “As coisas precisam ser levadas com mais seriedade, precisam ser feitas voltadas a se verificar o que é de fato possível e dizendo a verdade. Tudo o que nós cidadãos precisamos é que a verdade venha à tona, e o político que disser a verdade na campanha terá altos índices de aprovação. Mas se ele disser que irá governar às mil maravilhas, que irá resolver todos os problemas de saúde, educação, segurança, ele com menos de um ano estará completamente desacreditado, porque não é verdade”.

MANCHAS NO PASSADO

O ex-juiz eleitoral sustenta que “a lei das eleições do dia-a-dia, a lei das ruas, diz que quem tiver mancha no passado terá dificuldade de conseguir o voto”. Como as pesquisas mais otimistas dão uma diferença em torno de 10% entre os dois candidatos que estão à frente das intenções de voto, e, para o Senado, essa diferença é ainda menor, Hollanda vaticina: “claro que se avizinham eleições duras”.

Sobre a judicialização, o especialista em direito eleitoral explica que “duas pessoas com o histórico e a experiência da deputada Fátima Bezerra e da ex-governadora Wilma de Faria”, propiciarão “eleições duras e consequentemente judicializadas”. Ele justifica: “Porque cada coisa que se disser vai se analisar se aquilo fere a imagem, se cabe direito de resposta, se não cabe”.

Por isso, para Hollanda, “se avizinha um pleito extremamente judicializado, mas pelas ideias e pela tentativa de convencer e de mostrar o que cada um já fez. Não se pode dizer ‘ah, a gente não pode olhar para o retrovisor’; tem que olhar para a frente e tem que olhar para trás”, frisou.

FONTE: JORNAL DE HOJE

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