Confronto entre MST e polícia deixa mortos e feridos no sudoeste do PR


PM e MST confirmaram que dois integrantes do movimento morreram. Confronto ocorreu nesta quinta (7), na área rural de Quedas do Iguaçu.

Um confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e policiais militares ambientais em um acampamento em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, deixou ao menos duas pessoas mortas. De acordo com a Polícia Militar (PM), seis pessoas ficaram feridas. O confronto aconteceu nesta quinta-feira (7).
Inicialmente, o MST havia afirmado que 22 integrantes do movimento tinham sido atingidos por disparos de arma de fogo. Mas, depois, informou que aproximadamente seis sem-terra estavam feridos e que o número exato ainda não havia sido confirmado porque a polícia estava impedindo a aproximação de integrantes do MST no local.

O acampamento fica localizado na área da Araupel. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), a equipe da ambiental estava com uma equipe da Ronda Tática Motorizada (Rotam) em uma área chamada Fazendinha verificando um foco de incêndio. Ao deslocar para o local, os policiais foram interceptados por mais de 20 integrantes do MST que reagiram a abordagem com disparos de arma de fogo, ainda conforme a Sesp.

Porém, de acordo com o movimento, a polícia não foi até o local para conter um incêndio e que o ocorrido foi uma emboscada. Segundo a MST, duas equipes da PM acompanhadas de seguranças da empresa Araupel atacaram o acampamento Dom Tomás Balduíno.

A Araupel é uma empresa de reflorestamento e beneficiamento de produtos de madeira que está estabelecida na região há 43 anos. Segundo a própria empresa, desde o início das invasões em Quedas do Iguaçu, a fábrica já perdeu dois terços de terras devido a questões agrárias. Procurada pelo G1, a Araupel informou que não vai se manifestar sobre o ocorrido nesta quinta.

Segundo a PM, uma espingarda e uma pistola foram apreendidas com os sem-terra. Ainda não há informações de policiais feridos.

A PM enviou equipes para o local para resgatar as vítimas e um helicóptero para remover os feridos.

Além disso, policiais militares e civis foram para a região com o objetivo de reforçar a segurança, já que há uma briga judicial envolvendo o MST e a empresa Araupel.

A Polícia Civil já abriu um inquérito para apurar os fatos.

Invasão foi em 2014

Desde julho de 2014, quando a fazenda de reflorestamento foi invadida por centenas de famílias, o clima é tenso na região e a titularidade da área vem sendo disputada na Justiça.

“Em março, a empresa teve duas vitórias no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRT4), o que alterou os ânimos do MST", avalia a empresa. "Há mais de um ano a Araupel tem a seu favor um mandado de reintegração de posse e aguarda o cumprimento por parte do governo do estado". Neste período, a Araupel calcula perdas de mais de R$ 35 milhões com as invasões.

De acordo com o MST, o acampamento localizado em uma área pertencente a empresa Araupel tem 2.500 famílias, com cerca de sete mil pessoas. "Os sem-terra do local sofrem com constantes ameaças por parte de seguranças e pistoleiros da empresa, ameaças essas que contam com a conivência do governo e da Secretária de Segurança Pública do Estado", diz um trecho do comunicado do movimento.

Mudas destruídas

Em março deste ano, um grupo de integrantes do MST invadiu um viveiro e destruiu cerca de 1,2 milhão de mudas de pinos que estavam sendo preparadas para o plantio em uma área de reflorestamento da Araupel. De acordo com empresa, causou um prejuízo de R$ 5 milhões.
Fonte: G1

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