Precisamos falar sobre Henrique (e sobre o silêncio local em torno dele)

Opinião

"Ah, Cefas, o que você tem contra Henrique, que pega no pé dele e posta material contra ele, como se outros políticos não tivessem problemas e sujeiras também". Dada contra ele "a mais", contudo, me espanta o silêncio potiguar em torno dele.

Por: Cefas Carvalho 

Feriado de finados e nos portais a manchete sobre "Cunha lista Temer e Lula como testemunhas de defesa". Fui ler a matéria, claro. Vinte nomes listados, todos do alto escalão da política ou administração do Governo. Entre eles, o nome do ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves, potiguar e um dos líderes do PMDB local e nacional, como bem sabemos.

Nas manchetes nacionais nada mais natural que priorizar Temer e Lula, atual presidente (ainda que golpista) e ex-presidente. Os demais são, jornalisticamente, coadjuvantes.

Mas, que em âmbito local, aqui no nosso Rio Grande do Norte velho de guerra, o nome de Henrique tenha sido "esquecido" ao se tratar da notícia, acho de maior gravidade. Poucos portais e blogs citando o nome dele em mais esse fato político. No Facebook, idem.

Fosse Robinson Faria, Fátima Bezerra, Zenaide Maia e mesmo José Agripino Maia, o silêncio seria o mesmo?

E hoje de manhã um fato curioso. Debatendo o tema em um post de um amigo no Facebook um outro amigo disparou: "Ah, Cefas, o que você tem contra Henrique, que volta e meia pega no pé dele e posta material contra ele, como se outros políticos não tivessem problemas e sujeiras também".

Expliquei para ele no post o que explico aqui neste texto: não tenho nada contra Henrique "a mais" do que tenho contra qualquer outro político local envolvido em ilícitos, seja ele um dos dos vereadores da Operação Impacto, prefeitos do interior afastados pelo TRE, etc.

O que mais me incomoda em Henrique sequer parte dele em si, ainda que sempre envolvido em escândalos (da capa "Henriquinho" da IstoÉ que impediu-o de ser candidato a vice-presidente de Serra em 2002 até a da Caixa Econômica junto de Cunha de agora) e réu no STF: é a redoma de silêncio que o envolve.

Mais de uma ocasião desabafei nas redes sobre aquele pessoal que esbraveja contra a corrupção, geralmente atacando Lula e Dilma, entre muitos outros, mas que não davam um pio quando o envolvido com a tal corrupção era o filho de Aluízio Alves.

Vejo quase que diariamente achincalhamentos públicos contra Robinson. Contra Rosalba e Micarla, testemunhei linchamentos virtuais, vida pessoal envolvida, inclusive. Fátima Bezerra e Fernando Mineiro já foram esculachados à exaustão, mesmo sendo fichas limpas. Já com Henrique, pouco ou quase nada.

Entendo que por Henrique fazer parte de uma família ligada a um complexo de comunicação, haja discrição por parte de quem trabalha - entre bons e queridos amigos meus - na Tribuna, InterTV Cabugi, entre outros do grupo. Trata-se de bom senso, respeito e sobrevivência. Não sou a vestal do templo para cobrar isenção e isonomia a quem quer que seja.

Mas, o "cordão de silêncio" que envolve Henrique, e os Alves em geral, citado aqui Henrique como o que mais se envolve em escândalos, é mais amplo que funcionários das empresas da família. Muita gente que me parecia imparcial e sem "rabo preso" com quem quer que fosse (pelo menos bradava isso aos quatro ventos da internet) na hora que é para citar ou possivelmente criticar o peemedebista simplesmente desaparecem do Facebook ou postam coisas como pandas e canções do ABBA.

Precisamos falar sobre Henrique, afinal, no papel de ex-deputado federal por 44 anos, tendo presidido a Câmara Federal, tendo sido candidato a prefeito de Natal e governador, é um homem público e que deve sim contas de sua vida pública a sociedade.

E precisamos falar sobre esse pessoal que, "bacurau" ou não, se silencia quando o assunto é ele.

fonte: potiguarnoticias.

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