Uma multidão esperava para dar o ultimo a Deus ao jogado Gil da Chapecoense em Nova Cruz

Uma multidão já aguardava a chegada do corpo do jogador Gil em frente o ginasio municipal em Nova Cruz

O carro com o féritro do jogador Gil chegando no ginásio municipal

Os policiais do 8º BPM na organização do funeral

O corpo do jogador Gil sendo levado para o ginásio Municipal na Nova Cruz após ter saindo da residencia dos seus pais no bairro de Santa Luzia, da tarde deste domingo (4),a escolta foi realizada pelas viaturas da policia Rodoviária Federal e pela policia Militar.

O féretro foi levado antes para a residência dos seus pais que fica localizado no bairro do Alto de Santa Luzia, zona norte de Nova Cruz.

Os policiais do 8º BPM,sob o comando do Tenente Coronel Tavares estão desde as primeiras horas desde domingo organizando todo trajeto da chegada do féitro do jogador Gil em Nova Cruz.
fonte: xuadoagreste
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O irmão mais velho de Gil, o ex-jogador Geraldo Madureira, conversou por telefone com o GloboEsporte.com e narrou, com profunda tristeza, o momento em que recebeu a confirmação da morte do irmão caçula, ainda na manhã desta terça-feira.

"Eu jamais imaginei passar por uma dor como essa". A trágica notícia da morte do volante potiguar Gil deixou todos os moradores da cidade de Nova Cruz, a 93 Km de Natal, em estado de choque. O jogador, que nasceu na cidade, mas que foi registrado no município vizinho de Santo Antônio, também no interior do Rio Grande do Norte, é uma das vítimas do acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, local que seria realizado o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional. 

Último contato

Como de costume, Gil telefonou para os pais para pedir a bênção antes da viagem para a Colômbia. O contato foi feito na noite da última segunda-feira. Dona Nina, mãe do jogador, estava dormindo quando o filho ligou. Seu Geraldo, pai do jogador, disse que iria acordá-la, mas Gil recusou e pediu para deixar a mãe descansando. Foi o último contato antes da fatídica tragédia.

- A dor maior da minha mãe é não ter falado com Gil naquele dia. Ela estava dormindo e ele pediu para não acordá-la. É isso que dói mais nela - conta Geraldo Madureira, irmão do jogador, que também foi jogador de futebol.

O acidente de Gil chocou a família. Durante toda a semana, os pais do jogador passaram mal e precisaram ser medicados no hospital da cidade. A chegada de familiares e amigos amenizou a tristeza, mas não o sofrimento de uma família inteira. Ex-companheiros de Gil na época do Coritiba, Robinho e Rafinha estão em Nova Cruz para prestar condolências.

FUTURO INTERROMPIDO

Gil era um menino franzino, desconfiado, mas com um sonho de ser tornar jogador de futebol. Habilidoso, começou a dar os primeiros toques em uma escolinha no município de Nova Cruz, no interior do Rio Grande do Norte. O primeiro treinador foi Valdo Salú, ex-jogador, que tornou-se agente de Gil com o passar dos anos. A primeira "peneira" que participou foi aos 14 anos, onde mostrou que teria um futuro brilhante.

Entre os 15 e os 16 anos, Gil realizou testes para entrar nas categorias de base de três clubes: Sport, CSA e URT. Sem sucesso nas investidas, quase desistiu do sonho de calçar uma chuteira. Motivado pelo professor, foi levado para mais uma etapa eliminatória na carreira e, desta vez, firmou vínculo no Mogi Mirim. Aos 16 anos, foi destaque na Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2005, onde ficou por mais três anos.

Aos 19 anos, voltou a Nova Cruz e fez parte da equipe amadora da cidade potiguar em um campeonato com clubes do interior do Rio Grande do Norte. Em 2008, foi negociado por empréstimo ao Guaratinguetá, e, em seguida, para o Vitória. Nesse período, mudou de agente esportivo e perdeu contato com Valdo Salú.

- Nessa saída dele do Mogi (Mirim) para o Guaratinguetá, houve um contrato diferente e nós perdemos o contato. Mesmo assim, o acompanhei na carreira e vi a evolução técnica dele, que era um excelente volante - comentou ex-agente.

Do Guaratinguetá, passou ainda pelo Vitória e Santo André, mas não obteve o sucesso e o rendimento esperado. Em 2010, foi emprestado para a Ponte Preta, mas também não conseguiu demonstrar o futebol que o marcou no início da carreira.

Negociado com o Coritiba em 2011, Gil teve uma alavancada na carreira. Um ano depois, participou da campanha do título Paranaense. Esteve em campo com a camisa do Coxa em 107 jogos. Sem espaço na equipe, foi emprestado a Chapecoense e completou 96 partidas, com cinco gols. Valdo lamenta a perda do amigo, a quem chamava de "irmão".

- Era um cara muito simples, humilde, sempre na dele, nunca bebeu e nunca teve vício nenhum. Sempre teve uma boa personalidade. Depois das travadas no início da carreira, conseguiu uma alavancada impressionante. Perdemos um grande amigo, perdi um irmão e Nova Cruz perdeu um grande uma pessoa. A cidade está triste. O pessoal que gosta de futebol está sentindo muito. Os amigos estão inconsoláveis - concluiu Valdo.

 Gil estava no Chapecoense desde 2015 (Foto: Cleberson Silva/Chapecoense

O jogador morreu aos 29 anos, deixando a mulher, Valdécia, e duas filhas: Lívia, de 5 anos, e Gabriela, de 3. As três moram em Chapecó e foram a Nova Cruz para dar o último adeus ao jogador.






G1/RN


                                       

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